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pedra de toque - mam rj - 1989 - fotos: franklin cassaro
FRANKLIN CASSARO 15:56
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tubídeos coleção dr. andrade - fotos: marcelo guru duarte
FRANKLIN CASSARO 13:52
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seringuidea na palma da mão - foto: ernesto neto
FRANKLIN CASSARO 23:06
FRANKLIN CASSARO 22:25
É arte, meu povo
''Nascido, criado e morado no Rio'' (palavras do próprio), Franklin Cassaro, 38 anos, é este cara aí de cima com uma luva cirúrgica inflada e metida à guisa de... topete na cabeça. O analista de Organização e Métodos, cumpriu o itinerário de praxe das artes plásticas e fez cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. E foi à luta, digo, às ruas da cidade para promover seus acontecimentos estéticos, instalações, atos escultóricos, intervenções artísticas ou arte interativa, alguns novos nomes das performances (expressão que o povo das artes acha ultrapassado). Este mês, ele vai participar do ciclo de, com o perdão da expressão, performance, no MAM.
Mas o que Franklin gosta mesmo é de estender uma tenda inflável, que ele chama de ''abrigo para que os alienígenas não se apropriem da nossa mente'', no Centro. Nas rodinhas no Largo da Carioca, o cara até ganhou um dinheirinho ''que deu para eu e meu amigo lancharmos''. Um dos poucos da sua geração a viver de arte, Franklin integra o time de artistas da prestigiada galeria Badaró Senna, de São Paulo. E garante muito mais que um lanchinho. Da próxima vez que você vir um cara cruzando a Rio Branco, deixando um rastro de laranjas no asfalto, ou puxando um jegue, não se espante, é arte!
http://jbonline.terra.com.br/papel/cadernos/domingo/2001/03/03/jordom20010303001.html
FRANKLIN CASSARO 20:55
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aerocardume - foto: franklin cassaro
FRANKLIN CASSARO 19:29
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nodus chordas tubulifurmes albinos - foto: franklin cassaro
FRANKLIN CASSARO 19:01
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atos cariocas - abrigo mercantil - fotos: pedro agilson
De volta
MAM quer recuperar o lugar polêmico e perturbador da performance
e começa série com artistas do gênero, que passa por uma reavaliação
GILBERTO DE ABREU
Que a produção contemporânea brasileira vem conquistando cada vez mais expressividade dentro e fora do país ninguém duvida. Agora, chegou a vez da turma que faz performance mostrar seu valor. Acompanhando de perto o amadurecimento desse gênero de arte nem sempre compreendido pelo público e muitas vezes pelos próprios artistas, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro anuncia para este ano uma temporada dedicada exclusivamente aos artistas performáticos. A estréia do projeto, idealizado pelo curador Fernando Cocchiarale para ativar o segmento contemporâneo do museu e atrair novos freqüentadores, acontece no próximo fim de semana, com Michel Groisman e O polvo, um jogo de cartas baseado nas pesquisas corporais desenvolvidas por ele e já amplamente difundidas em bienais de arte ou panoramas de dança e que já ganharam até a paia de Ipanema. ''Estou contactando artistas que trabalham a performance em sua essência. No Brasil, nem todos os artistas que propõem performances sabem realmente o que estão fazendo'', alfineta o curador, que já convidou Rodrigo Cabelo, Franklin Cassaro, Laura Lima e o grupo musical Chelpa Ferro (integrado pelos artistas plásticos Chico Neves, Jorge Barrão, Luiz Zerbini e Sérgio Mekler) para a programação.
Pesquisadora dessa vertente artística desde a primeira metade dos anos 90, a doutoranda em Comunicação e Semiótica pela PUC de São Paulo Regina Melin, 45 anos, residente em Florianópolis, vem acompanhando o movimento desde 1993, a partir de pesquisas sobre a obra de Hélio Oiticica. ''A produção desses artistas vem chamando a atenção. É uma postura diferenciada daqueles que faziam performance nos anos 60 e 70, como Antonio Manuel e Hélio Oiticica no Rio e Flávio de Carvalho em São Paulo'', ressalta a pesquisadora.
A contaminação da nova geração de performance por novos códigos e linguagens (dança, teatro, música, etc) vem, segundo Melin, conferindo ao espectador uma postura mais ativa diante das ações propostas pelos artistas. As performances atuais se configuram como um produto híbrido. Não é apenas o corpo, como no passado. É ele e alguma coisa a mais.
Laura Lima, por exemplo, se apropria de corpos alheios para realizar suas ações. A artista intrigou a crítica espanhola este mês com uma apresentação de seu projeto RhR (Representativo hífen representativo) pelas ruas de Madri. ''O interessante é que as pessoas fazem parte de algo que não tem uma proposta ideológica definida''. Qualquer um pode integrar o RhR, mas para isso precisa reproduzir o uniforme do grupo, similar a uma bata. ''O molde e outras informações estão no site {rhr.mim.to}. Pela rede, ganhamos integrantes no México, em Londres, na França e na Eslováquia''.
Cassaro também se apropria de outros corpos, neste caso para dar novas configurações às suas esculturas de ar, feitas de materiais como jornal e sacos de plástico. No caso de Michel, essa integração se dá em função da possibilidade de uma experiência vivencial de sua obra com do baralho de pedaços do corpo humano que ele criou para esquematizar a pesquisa.
A performance contemporânea brasileira não propõe apenas boas idéias. Vem criando novos paradigmas para o sistema da arte, como a questão da aquisição da obra apresentada. No passado, seria impensável comprar uma performance. Hoje a questão começa a ficar diferente. O MAM de São Paulo, por exemplo, por intermédio do Núcleo de Arte Contemporânea coordenado por Isabela Prata, adquiriu no final do ano passado duas performances de Laura Lima, cada um por cerca de R$ 9 mil. ''Embora isso venha acontecendo sistematicamente no exterior, creio que o MAM de São Paulo é o único que vem praticando tal coisa no país'', diz Melin.
Em outras palavras, é o mesmo que dizer que hoje não se compra o registro da performance - em vídeo ou fotografia - como era de praxe desde os anos 60. Adquire-se o roteiro dela, a possibilidade de vê-la novamente. ''Na medida em que você adquire os direitos de uma performance, você pode atualizá-la quantas vezes quiser, dando àquela proposta efêmera um caráter de permanência''.
É o que de certa forma fez Michel Groisman ao traduzir em baralho os fundamentos de sua pesquisa corporal. ''A necessidade de racionalizar o trabalho acabou resultando numa nova maneira de propagá-lo'', festeja Michel, que ainda não teve nenhuma performance adquirida mas vem ganhando cachês para apresentá-las. ''Os museus não pagam, ou fazem contribuições simbólicas, uma espécie de cachê para quem está se apresentando comigo. Só ganho dinheiro mesmo quando me apresento em eventos ligados à dança ou em eventos internacionais''. Foi com o dinheiro de uma série de apresentações em Portugal que ele editou os baralhos, comercializados durante as performances por módicos R$ 10.
Franklin Cassaro, ao contrário de Groisman, nunca foi remunerado pelas performances que apresenta nem buscou documentá-las para comércio ou posteridade. Ele, que reconhece o preconceito com o termo performance, prefere dizer que faz ''atos escultóricos''. E reconhece: ''Tenho problemas com termos. Prefiro dizer que sou escultor, a me apresentar como artista plástico. Mas nem por isso sou um traidor da minha classe. É que, às vezes, acho tão chata a performance que, quando alguém avisa de uma, eu logo me pergunto se bebi o suficiente para suportá-la'', ironiza o artista.
Cabelo desde que foi selecionado para a Documenta de Kassel vem garantindo visibilidade incomum no campo das performances. ''Em São Paulo, fiz uma no Morumbi Fashion e fui muito bem remunerado'', disse ele, sem revelar o cachê. ''Mas isso depende da instituição que contrata. Na Casa das Rosas, também em São Paulo, o pagamento foi quase simbólico'', compara o rapaz, que, no fim do ano passado, parou o trânsito da Avenida Nossa Senhora de Copacabana, em pleno meio-dia, com uma performance planejada especialmente para a abertura do SESC Rioarte. Cabelo diz preferir performances como esta, que acontecem fora do museu. ''Elas acabam atraindo pessoas que não sabem do que se trata aquilo ou mesmo que desconhecem o que é arte contemporânea'', diz.
Em geral simpático às performances, Cabelo reconhece que elas não necessariamente são boas. ''Nem sempre o porra-louca que você vê pulando na frente do museu está fazendo uma performance'', diz Cabelo, que só ultimamente vem documentando suas performances. ''Só me interessa o testemunho da ação'', diz ele. ''O que fica na cabeça das pessoas vai sendo transformado à medida que narram o que viram aos outros''.
Performer, diretor teatral e professor do Programa de Comunicação e Semiótica da PUC de São Paulo, o paulistano Renato Cohen pesquisa performances desde os anos 80 e lançou, no final daquela década, o livro Performance como linguagem (Editora Perspectiva), o primeiro em português sobre o assunto. Mais recentemente, suas investigações têm sido norteadas pela idéia de corpo e cenas expandidas. ''Além de autor, o artista quer ser o sujeito de uma ação baseada na criação de um contexto, e não mais de um produto''.
A convergência entre teatralidade, presença e plasticidade também motiva as pesquisas de Cohen, que além de lecionar desenvolve um trabalho de pesquisa corporal com pacientes de um hospital psiquiátrico em São Paulo. ''O campo é vastíssimo '', comemora.
http://jbonline.terra.com.br/papel/cadernob/2001/01/27/jorcab20010127001.html
FRANKLIN CASSARO 18:04
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lasca de tubídeo em solução estéril - foto: ernesto neto
FRANKLIN CASSARO 17:30